
No coração do Oeste baiano, entre as paisagens históricas de Formosa do Rio Preto e Santa Rita de Cássia, floresceu uma árvore genealógica cujas raízes parecem ter decifrado o segredo da eternidade. Juntos, dez irmãos vivos da mesma mãe e do mesmo pai somam a impressionante marca de 907 anos de idade. O número não é apenas um feito biológico admirável, mas o passaporte da família para o Guinness Book, o Livro dos Recordes. Por uma impressionante margem de 29 anos, esses baianos estão prestes a desbancar o atual recorde mundial de longevidade familiar, hoje em mãos de uma família dos Estados Unidos que acumula 878 anos.
Essa contagem grandiosa ganhou um capítulo decisivo em Salvador, em um sábado que transformou a capital baiana no palco de um reencontro histórico. Coincidência ou destino, a data marcou o aniversário de 99 anos de Dona Zélia, a irmã mais velha do grupo. A comemoração ganhou ares oficiais com a presença de representantes do próprio Guinness Book, que viajaram até a Bahia para auditar o feito. O processo, rigoroso e detalhado, exigiu que cada um dos dez irmãos passasse por uma sabatina minuciosa diante de testemunhas, onde gravaram seus nomes, idades e um pouco de suas trajetórias.
O engenheiro aposentado Múcio Landim, de 86 anos, expressou a grande confiança do grupo após as entrevistas. Ele faz questão de ressaltar com orgulho que todos são filhos do mesmo pai e da mesma mãe, uma união que gerou uma dinastia de impressionante vitalidade. Para entender a magnitude desse recorde, basta olhar para a sequência de idades que atravessou quase um século de história do Brasil, composta por Zélia, de 99 anos, José, de 97, Arminda, de 95, Zenaide, de 93, Bartolomeu, de 91, Celene, de 90, Marlene, de 88, o próprio Múcio, de 86, Idália, de 85, e o caçula Cleomar, com 83 anos.

A longevidade desses irmãos parece carregar o eco de uma história antiga e resiliente. Múcio relembra com carinho as memórias transmitidas por seu avô paterno, João Paes Landim, sobre as origens da família. Os primeiros passos dessa linhagem em solo brasileiro remontam ao período colonial, quando antepassados portugueses — muitos deles militares — desembarcaram no país e decidiram fincar suas bases na Bahia e em outros estados do Nordeste. Mal sabiam eles que, séculos depois, os frutos daquela migração estariam prestes a colocar o interior baiano no topo do mundo. Agora, resta apenas a homologação oficial para que os 907 anos de afeto e resiliência dessa família sejam eternizados nos registros do planeta.
Com informações do Alô Alô Bahia e o O Público, de Portugual e Portal do Cerrado de Formosa do Rio Preto-BA


