
Escândalo no São João: Bandas denunciam supostos calotes milionários em Festas Juninas na Bahia
O clima pós-festejos juninos na Bahia tomou um rumo polêmico. Diversas bandas e artistas do cenário do forró e do sertanejo uniram vozes para denunciar uma série de supostos calotes milionários que teriam sofrido após realizarem apresentações em praças públicas e eventos privados de grande porte pelo estado.
As suspeitas giram em torno de prefeituras do interior baiano e de empresas terceirizadas contratadas para gerenciar a logística e o pagamento dos cachês. Segundo relatos de empresários do setor musical, os atrasos — que em alguns casos já passam de meses — inviabilizam o pagamento de equipes técnicas, músicos, motoristas e fornecedores, gerando um efeito cascata que sufoca o mercado do entretenimento local.
Os Dois Lados da Moeda
Enquanto os artistas alegam que cumpriram rigorosamente os contratos de show, o cenário nos bastidores revela um jogo de empurra-empurra burocrático:
- A versão das bandas: Representantes jurídicos afirmam que os repasses governamentais e os lucros de bilheteria aconteceram, mas o dinheiro não chegou ao destino final. Há relatos de contratos assinados que simplesmente foram descumpridos sem justificativa prévia.
- A versão dos municípios: Algumas prefeituras se defendem alegando entraves na prestação de contas, atraso no recebimento de verbas estaduais ou federais de fomento à cultura, ou transferem a responsabilidade jurídica integral para as produtoras contratadas como intermediárias.
Impacto no Setor: Especialistas estimam que o montante acumulado em dívidas contratuais atinja a casa dos milhões de reais, ameaçando a sobrevivência de bandas de médio e pequeno porte que dependem do período junino para faturar a maior parte do orçamento anual.
A Associação de Bandas e Artistas da Bahia já estuda mover uma ação coletiva e acionar o Ministério Público (MP-BA) para auditar os contratos e garantir que os profissionais recebam o que de fato foi acordado.


