
Um estudo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) aponta que apenas duas em cada dez rodovias brasileiras possuem alto índice de “perdão aos motoristas” — conceito internacional que avalia a capacidade da infraestrutura de atenuar a gravidade de acidentes por meio de itens como acostamentos e barreiras. O levantamento, feito sobre 114 mil quilômetros, revela que mais de 80% das estradas apresentam risco médio (42,7%) ou alto (37,5%), indicando que falhas na via tendem a agravar os sinistros.
A desigualdade regional e de gestão é marcante. O Sudeste e o Sul concentram os melhores trechos, liderados por São Paulo, que possui 70% de sua malha com alto padrão de segurança. Em contrapartida, estados como Amapá e Roraima não registraram nenhum quilômetro com avaliação máxima, enquanto Amazonas (74,7%) e Maranhão (74,3%) lideram os índices de maior perigo.
O levantamento reforça que as rodovias concedidas à iniciativa privada são mais seguras: 62% delas têm alto índice de perdão. Já na malha pública, administrada pelos governos, metade dos trechos foi classificada com segurança baixa, e o percentual de excelência caiu para 4,8%.
Em resposta, o DNIT contestou o cenário utilizando uma metodologia própria (Índice de Condição da Manutenção), alegando que 75% das rodovias federais estão em bom estado devido a investimentos contínuos. O governo do Maranhão também declarou manter manutenções constantes em suas vias. Para a CNT, os resultados reforçam a urgência de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente na gestão pública.


